Ocrevus (Ocrelizumabe) negado pelo plano de saúde: quem deve custear?

Receber a prescrição do Ocrevus® e descobrir que o tratamento custa dezenas de milhares de reais coloca o paciente diante de uma preocupação que vai muito além da doença. O Ocrelizumabe é utilizado em formas específicas de esclerose múltipla e, por ser um medicamento biológico de alto custo, pode ser recusado pelo plano de saúde ou não estar disponível pela via administrativa do SUS.

A negativa, porém, não deve ser aceita sem uma análise cuidadosa. O motivo apresentado pela operadora, a modalidade do plano, o ambiente em que o medicamento será administrado, a indicação médica e o histórico de tratamentos fazem diferença. No SUS, também é necessário verificar a situação do medicamento nos protocolos públicos e os critérios definidos pelos tribunais para tratamentos não incorporados.

Em resumo:

O Ocrevus possui registro na Anvisa para o tratamento de formas recorrentes da esclerose múltipla e da forma primária progressiva. Uma apresentação intravenosa pode superar R$ 35 mil no preço-fábrica, sem considerar toda a estrutura do tratamento. A cobertura não deve ser analisada apenas pelo preço ou pela presença do nome do remédio no Rol da ANS. Prescrição fundamentada, indicação aprovada, ambiente de aplicação, contrato e motivo da recusa precisam ser avaliados em conjunto.

O que é o Ocrevus e por que o tratamento custa tão caro?

O Ocrevus é o nome comercial do Ocrelizumabe, um anticorpo monoclonal que atua sobre determinadas células B do sistema imunológico. Essas células participam do processo inflamatório relacionado à esclerose múltipla. O objetivo do tratamento é reduzir a atividade da doença e retardar sua progressão, conforme a indicação definida pelo neurologista.

A Anvisa aprovou o medicamento para pacientes com formas recorrentes de esclerose múltipla e para pacientes com esclerose múltipla primária progressiva. Em 2026, houve ainda ampliação de uso para determinados pacientes pediátricos com a forma remitente-recorrente. A escolha do tratamento depende da idade, da forma da doença, dos exames e da avaliação individual do médico assistente.

O valor varia de acordo com a apresentação, os tributos e o fornecedor. Como referência, uma apresentação intravenosa possuía preço-fábrica máximo superior a R$ 35 mil em 2026. Apresentações e ofertas comerciais podem alcançar valores ainda maiores. Além do frasco, o tratamento envolve administração em serviço de saúde, acompanhamento e estrutura adequada, razão pela qual o custo final não deve ser calculado apenas com base em um anúncio de farmácia.

O plano de saúde pode negar o Ocrelizumabe?

Algumas negativas afirmam que o medicamento não consta do Rol da ANS, que existe outra opção terapêutica ou que se trata de remédio de uso domiciliar. A validade dessas justificativas depende da realidade do tratamento. O Ocrevus pode ser administrado em ambiente assistencial, e isso precisa ser diferenciado de um medicamento comprado para uso comum em casa.

Se a doença está coberta pelo contrato e o neurologista justifica por que o Ocrelizumabe é necessário, a operadora deve realizar uma análise individual e fornecer uma negativa clara. A Lei nº 14.454/2022 também prevê critérios para o custeio de tratamentos que não estejam expressamente indicados no Rol, considerando evidências científicas e recomendações de órgãos técnicos. Isso não cria cobertura automática para qualquer prescrição, mas impede que a ausência do nome na lista seja tratada como resposta suficiente em todas as situações.

Também devem ser observados a data do contrato, a segmentação assistencial, a indicação aprovada pela Anvisa, o local de aplicação e os tratamentos já realizados. Quando a negativa ignora esses elementos ou apresenta apenas uma frase padronizada, pode existir fundamento para contestação administrativa ou judicial.

É possível conseguir Ocrevus pelo SUS?

O SUS possui protocolo para o tratamento da esclerose múltipla e oferece diferentes alternativas terapêuticas. O Ocrelizumabe já foi analisado pela Conitec para uma situação relacionada à forma remitente-recorrente, sem recomendação de incorporação naquele contexto. Por isso, antes de formular o pedido, é indispensável conferir o protocolo vigente, a forma da doença e se houve alguma atualização posterior aplicável ao paciente.

Quando o medicamento registrado na Anvisa não está incorporado para aquela indicação, o fornecimento judicial pelo SUS é excepcional. As regras definidas pelo Supremo Tribunal Federal exigem mais do que a receita: é necessário demonstrar a negativa administrativa, a necessidade clínica, a ausência de substituto adequado no sistema público, a eficácia baseada em evidências e a impossibilidade financeira de custear o tratamento, entre outros elementos do caso.

Isso significa que o relatório médico deve comparar o Ocrevus com as alternativas efetivamente disponíveis no SUS e explicar por que elas não atendem o paciente. Uma afirmação genérica de que o medicamento é “melhor” costuma ser menos útil do que uma descrição clara dos tratamentos anteriores, das respostas obtidas e dos riscos concretos da demora.

O relatório médico pode mudar a análise da negativa

Em casos de esclerose múltipla, um bom relatório não se limita ao diagnóstico. Ele apresenta a forma da doença, a atividade clínica, os exames relevantes, os surtos ou a progressão observada, os medicamentos anteriormente utilizados e a razão técnica para a escolha do Ocrelizumabe. Também é importante informar os riscos associados à interrupção ou ao adiamento do tratamento.

A documentação costuma ser completada pela prescrição atualizada, exames, negativa por escrito, protocolo do pedido, carteirinha e contrato do plano. No SUS, podem ser necessários documentos financeiros e prova da tentativa administrativa. O objetivo não é acumular papéis, mas permitir que a situação clínica e o motivo da recusa sejam compreendidos sem lacunas.

Quando existe urgência médica, pode ser avaliado um pedido judicial de tutela de urgência. A liminar não é garantida: o juiz analisa a probabilidade do direito, os documentos e o risco provocado pela espera. Quanto mais individualizada estiver a justificativa médica, mais claro se torna o impacto de uma eventual demora.

Dúvidas frequentes sobre o Ocrevus

O alto preço obriga o plano a fornecer?

O preço elevado, sozinho, não define a obrigação. A análise considera a cobertura da doença, o contrato, a indicação do medicamento, o ambiente de administração e a fundamentação médica. O custo também não autoriza uma negativa sem justificativa adequada.

A ausência no Rol da ANS encerra o pedido?

Não necessariamente. A legislação admite a avaliação de tratamentos fora do Rol quando preenchidos critérios técnicos. Cada caso precisa ser examinado com base na prescrição, nas evidências e nas características do plano.

O paciente deve comprar o medicamento antes de reclamar?

Não. Diante do valor elevado, o mais seguro é guardar a prescrição, solicitar a autorização e exigir a resposta por escrito. Eventual compra ou pedido de reembolso deve ser avaliado de acordo com a urgência e a orientação profissional.

A negativa precisa ser analisada com rapidez e cuidado

Em uma doença que pode provocar perda progressiva de funções, respostas padronizadas não devem substituir uma análise clínica real. Identificar quem recebeu o pedido, qual regra foi utilizada e quais documentos ainda faltam ajuda a definir se o melhor caminho é complementar a solicitação, registrar reclamação ou buscar o Judiciário.

O Dr. Lucas Vitorino, advogado especializado em Direito à Saúde, atua na análise de negativas de medicamentos de alto custo envolvendo planos de saúde e o SUS. O escritório presta atendimento eficaz, humanizado e rápido, com avaliação individual da prescrição, do contrato, do protocolo administrativo e da justificativa apresentada para a recusa.

O plano de saúde ou o SUS negou o Ocrevus?

Solicite uma análise da prescrição, do relatório médico e do fundamento usado para negar o tratamento.

Telefone e WhatsApp: (11) 98388-5077

Site: www.vmesilvaadvogados.com.br

 

Compartilhe este artigo:

Fale Conosco

Sucesso! Sua mensagem foi enviada.
Atenção! Preencha todos os campos.
Atenção! Insira um email válido!