O Kesimpta, cujo princípio ativo é o ofatumumabe, é um medicamento indicado para o tratamento de adultos com formas recorrentes de esclerose múltipla.
Apesar de possuir registro na Anvisa, o paciente pode enfrentar dificuldades para conseguir o tratamento pelo plano de saúde ou pelo Sistema Único de Saúde. As negativas costumam mencionar a ausência no Rol da ANS, o uso domiciliar do medicamento ou a existência de outras alternativas terapêuticas.
Essas justificativas precisam ser analisadas juntamente com o histórico clínico, a prescrição do neurologista, os tratamentos anteriores e as normas aplicáveis ao caso.
Em resumo: o Kesimpta possui registro da Anvisa para adultos com formas recorrentes de esclerose múltipla. Contudo, não foi incorporado ao SUS para primeira linha e não aparece nominalmente no Rol da ANS vigente consultado. Isso não significa cobertura automática nem impossibilidade absoluta: a documentação médica e o enquadramento nos critérios legais precisam ser avaliados individualmente.
O que é a esclerose múltipla?
A esclerose múltipla é uma doença crônica e imunomediada que atinge o sistema nervoso central. O sistema imunológico passa a atacar estruturas relacionadas à proteção das fibras nervosas, provocando inflamação e comprometendo a transmissão dos impulsos nervosos.
As manifestações variam de uma pessoa para outra e podem incluir:
- alterações na visão;
- formigamento ou perda de sensibilidade;
- fraqueza muscular;
- dificuldades de equilíbrio e coordenação;
- fadiga intensa;
- rigidez ou espasmos musculares;
- alterações urinárias;
- dificuldades cognitivas;
- episódios de piora conhecidos como surtos.
O diagnóstico e a escolha do tratamento devem ser realizados pelo neurologista, considerando a forma da doença, sua atividade, os exames e o histórico do paciente.
Para que serve o Kesimpta?
O Kesimpta é aprovado pela Anvisa para o tratamento de pacientes adultos com formas recorrentes de esclerose múltipla.
O ofatumumabe é um anticorpo monoclonal que atua sobre o receptor CD20, presente em determinadas células B envolvidas na atividade da doença.
O tratamento é apresentado em caneta preenchida e administrado por injeção subcutânea. Após as doses iniciais, a prescrição pode estabelecer aplicações periódicas, conforme a bula e a avaliação do neurologista.
A forma de administração é relevante para a discussão jurídica porque o medicamento pode ser utilizado fora do ambiente hospitalar. Por isso, a análise de cobertura pelo plano exige atenção às regras relativas a medicamentos de uso domiciliar.
O plano de saúde deve fornecer o Kesimpta?
O fornecimento não pode ser tratado como automático em todos os casos. O Kesimpta não apareceu nominalmente no arquivo vigente do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS consultado para esta publicação.
Além disso, a Lei dos Planos de Saúde permite a exclusão de determinados medicamentos administrados fora de estabelecimentos de saúde, ressalvadas as situações previstas na legislação, no Rol ou no próprio contrato.
Entretanto, uma negativa precisa ser analisada conforme:
- a indicação registrada na Anvisa;
- o tipo de esclerose múltipla diagnosticado;
- a atividade e a evolução da doença;
- os medicamentos utilizados anteriormente;
- as contraindicações e os efeitos adversos apresentados;
- as alternativas disponíveis no Rol;
- as evidências científicas relacionadas ao caso;
- as cláusulas do contrato;
- o fundamento formal da recusa.
Quando o tratamento solicitado não está no Rol, a discussão também deve observar os requisitos técnicos e jurídicos definidos para coberturas excepcionais.
Quais critérios são importantes quando o medicamento está fora do Rol?
Após o julgamento realizado pelo Supremo Tribunal Federal, a cobertura de tratamento não incluído no Rol deve ser analisada mediante requisitos cumulativos.
Entre os elementos relevantes estão:
- prescrição por profissional assistente habilitado;
- registro do medicamento na Anvisa;
- ausência de alternativa terapêutica adequada no Rol para o paciente;
- comprovação de eficácia e segurança por evidências científicas de alto nível;
- inexistência de decisão expressamente contrária da ANS ou proposta de atualização ainda pendente, conforme o caso.
Esses requisitos precisam ser demonstrados em conjunto. A prescrição médica é indispensável, mas pode não ser suficiente quando apresentada sem justificativa clínica e científica detalhada.
O relatório do neurologista faz diferença?
Sim. Um relatório genérico pode dificultar a avaliação do pedido. O documento deve explicar por que o Kesimpta foi escolhido para aquele paciente e por que as alternativas disponíveis não são adequadas.
É recomendável que o relatório informe:
- diagnóstico completo e forma da esclerose múltipla;
- tempo de evolução da doença;
- quantidade e gravidade dos surtos;
- resultados de ressonâncias e outros exames relevantes;
- presença de lesões novas ou ativas;
- medicamentos anteriormente utilizados;
- falhas terapêuticas, efeitos adversos ou contraindicações;
- risco de progressão ou agravamento;
- justificativa para a escolha do ofatumumabe;
- dose e frequência das aplicações;
- evidências científicas que sustentam a indicação.
Quando houver urgência, o neurologista deve registrar as consequências que podem decorrer da demora no início do tratamento.
O plano pode obrigar o paciente a utilizar outro medicamento?
A operadora pode verificar se existem alternativas terapêuticas cobertas, mas precisa considerar a situação individual do paciente.
Não basta apresentar uma lista genérica de medicamentos para esclerose múltipla. É necessário verificar se a alternativa indicada pelo plano possui aplicação para a mesma forma e atividade da doença e se é adequada diante dos tratamentos anteriores.
O neurologista deve explicar por que as opções oferecidas não são suficientes, estão contraindicadas ou já foram utilizadas sem o resultado esperado.
O SUS fornece o ofatumumabe?
A Conitec avaliou o ofatumumabe para o tratamento da esclerose múltipla recorrente em primeira linha e decidiu pela sua não incorporação ao SUS.
O SUS possui um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para esclerose múltipla com medicamentos e critérios próprios. O paciente deve verificar se pode utilizar alguma das alternativas incorporadas.
A ausência de incorporação não significa que toda demanda judicial será rejeitada, mas torna necessária a demonstração dos requisitos definidos pelos tribunais para medicamentos não incorporados.
Entre os documentos relevantes estão:
- negativa administrativa do SUS;
- relatório médico detalhado;
- comprovação de que as alternativas incorporadas são inadequadas;
- evidências de eficácia e segurança;
- registro do medicamento na Anvisa;
- orçamentos atualizados;
- documentos financeiros do paciente e da família.
O que fazer se o Kesimpta for negado?
- Solicite a negativa completa por escrito.
- Confira se a operadora analisou o medicamento e a doença corretos.
- Peça ao neurologista um relatório circunstanciado.
- Reúna ressonâncias e exames utilizados para acompanhar a doença.
- Organize o histórico dos tratamentos anteriores.
- Guarde a prescrição com dose e frequência.
- Solicite orçamentos atualizados.
- Procure orientação jurídica para avaliar o caso individualmente.
Não é recomendável interromper o tratamento atual ou substituir medicamentos por conta própria. Qualquer alteração deve ser orientada pelo neurologista.
Quais documentos devem ser separados?
- prescrição do Kesimpta;
- relatório médico detalhado;
- laudos das ressonâncias;
- exames laboratoriais;
- histórico de surtos e progressão da doença;
- comprovantes dos tratamentos anteriores;
- negativa do plano ou do SUS;
- carteirinha e contrato do plano;
- protocolos de atendimento;
- orçamentos do medicamento.
Perguntas frequentes
Kesimpta e ofatumumabe são a mesma coisa?
Kesimpta é o nome comercial do medicamento. Ofatumumabe é o nome do princípio ativo.
O medicamento tem registro na Anvisa?
Sim. A Anvisa registrou o Kesimpta para o tratamento de pacientes adultos com formas recorrentes de esclerose múltipla.
O Kesimpta é aplicado no hospital?
O medicamento é administrado por injeção subcutânea e foi desenvolvido para autoadministração por meio de caneta preenchida, conforme orientação da equipe responsável.
O uso domiciliar impede qualquer discussão de cobertura?
A forma de administração é um ponto importante e pode ser utilizada na negativa. Entretanto, o caso precisa ser analisado conforme o contrato, o Rol, os critérios aplicáveis aos tratamentos não incluídos e a documentação médica.
O SUS já incorporou o ofatumumabe?
A Conitec decidiu pela não incorporação do ofatumumabe como tratamento de primeira linha para esclerose múltipla recorrente. É necessário consultar o PCDT e as alternativas atualmente oferecidas pelo SUS.
Como o Dr. Lucas Vitorino pode orientar?
O Dr. Lucas Vitorino, advogado especializado em Direito à Saúde, pode analisar a prescrição, o histórico da esclerose múltipla, os tratamentos anteriores, o contrato e o motivo apresentado pelo plano de saúde ou pelo SUS.
A avaliação individual permite verificar se a negativa considerou corretamente a situação clínica e quais documentos ainda precisam ser reunidos.
O fornecimento do Kesimpta foi negado?
Separe a prescrição, o relatório do neurologista, os exames e a negativa para uma análise individualizada.
Telefone e WhatsApp: (11) 98388-5077





