O Imaavy®, cujo princípio ativo é o nipocalimabe, recebeu da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) uma nova indicação para o tratamento da anemia hemolítica autoimune por anticorpos quentes (AHAI-Q).
A aprovação contempla pacientes adultos e adolescentes com 12 anos ou mais. Por ser um medicamento biológico administrado por via intravenosa e indicado para uma doença rara, podem surgir dúvidas sobre a obrigação de cobertura pelo plano de saúde.
Em resumo: o Imaavy possui indicação aprovada pela Anvisa para o tratamento da AHAI-Q em adultos e adolescentes a partir de 12 anos. A cobertura pelo plano deve ser analisada de acordo com a prescrição, o quadro clínico, a modalidade contratada, o local de administração e as regras aplicáveis.
O que é a anemia hemolítica autoimune por anticorpos quentes?
A anemia hemolítica autoimune por anticorpos quentes, também chamada de AHAI-Q, é uma doença rara na qual o sistema imunológico produz anticorpos que atacam as próprias hemácias do paciente.
As hemácias são responsáveis pelo transporte de oxigênio pelo organismo. Quando são destruídas em uma velocidade maior do que a capacidade de reposição do corpo, o paciente pode desenvolver anemia e outras complicações.
Entre as manifestações relacionadas à doença estão:
- cansaço intenso;
- fraqueza;
- falta de ar;
- palidez;
- coloração amarelada da pele e dos olhos;
- necessidade de transfusões de sangue em determinadas situações;
- risco de complicações decorrentes da destruição das hemácias.
O diagnóstico, a gravidade da doença e a escolha do tratamento devem ser definidos pelo médico hematologista responsável.
Para que o Imaavy foi aprovado?
Em agosto de 2026, a Anvisa aprovou uma nova indicação terapêutica do Imaavy para o tratamento da AHAI-Q em pacientes adultos e adolescentes com 12 anos ou mais.
O nipocalimabe é um anticorpo monoclonal que bloqueia o receptor neonatal Fc, conhecido como FcRn. Esse mecanismo reduz os níveis circulantes de determinados anticorpos envolvidos na destruição das hemácias.
De acordo com a Anvisa, o Imaavy é um medicamento biológico de uso intravenoso. O tratamento deve ser realizado no ambiente indicado pelo médico, com acompanhamento profissional e observância dos cuidados necessários durante a infusão.
O plano de saúde deve fornecer o Imaavy?
A aprovação do medicamento pela Anvisa é um elemento importante, mas a obrigação de cobertura deve ser analisada de acordo com as circunstâncias do paciente.
Entre os pontos que precisam ser verificados estão:
- se o diagnóstico corresponde à indicação aprovada;
- a idade do paciente;
- a prescrição emitida pelo médico responsável;
- o tipo e a segmentação do plano contratado;
- o local indicado para a administração do medicamento;
- os tratamentos anteriormente realizados;
- a existência de alternativas terapêuticas adequadas;
- as evidências científicas apresentadas;
- as regras vigentes do Rol da ANS;
- o motivo utilizado pela operadora para negar a cobertura.
Como o Imaavy é administrado por via intravenosa em ambiente assistencial, sua análise não deve ser confundida com a de um medicamento comum destinado exclusivamente ao uso domiciliar.
E se o medicamento não estiver no Rol da ANS?
O Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde estabelece a cobertura assistencial obrigatória dos planos de saúde, observadas a modalidade contratada e as respectivas Diretrizes de Utilização.
Entretanto, a ausência expressa de um tratamento no Rol não encerra automaticamente a discussão. A Lei nº 14.454/2022 estabeleceu critérios que podem permitir a cobertura de tratamentos não incluídos na lista da ANS.
Nesses casos, podem ser considerados:
- a comprovação da eficácia com base em evidências científicas;
- a existência de um plano terapêutico individualizado;
- o registro do medicamento na Anvisa;
- a inexistência de alternativa terapêutica adequada;
- eventuais recomendações de órgãos de avaliação de tecnologias em saúde.
A aplicação desses critérios depende da análise individual do caso e dos documentos médicos apresentados.
Qual é a importância do relatório médico?
O relatório médico é um dos principais documentos para demonstrar a necessidade do tratamento. Um pedido contendo somente o nome do medicamento e o diagnóstico pode não apresentar informações suficientes para uma análise adequada.
O relatório do hematologista deve informar, quando aplicável:
- o diagnóstico completo do paciente;
- os exames utilizados para confirmar a AHAI-Q;
- a idade e o quadro clínico atual;
- os níveis de hemoglobina e os marcadores de hemólise;
- os tratamentos utilizados anteriormente;
- a resposta insuficiente, contraindicação ou efeitos adversos de outras terapias;
- o histórico de transfusões, quando existente;
- a justificativa técnica para a escolha do nipocalimabe;
- a dose e a frequência das infusões;
- o local indicado para a administração;
- os riscos relacionados ao atraso do tratamento.
O médico também pode apresentar estudos científicos e documentos regulatórios que sustentem a indicação do medicamento.
O plano pode substituir o medicamento indicado?
A operadora pode realizar auditoria e solicitar esclarecimentos sobre a prescrição. No entanto, a indicação genérica de outro tratamento não demonstra, por si só, que a alternativa possui a mesma eficácia e segurança para aquele paciente.
Caso o plano alegue a existência de outra opção, deve ser verificado se ela é realmente adequada, se já foi utilizada e se existe contraindicação.
O hematologista responsável deve explicar por que o Imaavy foi escolhido e por que a alternativa sugerida pela operadora não seria suficiente para o quadro apresentado.
O SUS fornece o nipocalimabe?
O registro de um medicamento na Anvisa e sua incorporação ao Sistema Único de Saúde são procedimentos diferentes.
Como a indicação do Imaavy para AHAI-Q foi aprovada recentemente, é necessário consultar os protocolos clínicos vigentes, as decisões da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde e as relações oficiais de medicamentos disponibilizados pelo poder público.
Caso o medicamento não esteja incorporado para a situação apresentada, um eventual pedido judicial dependerá da demonstração dos requisitos estabelecidos pela legislação e pelos tribunais.
O que fazer se o plano negar o Imaavy?
- Solicite a negativa formal e por escrito.
- Confira se a resposta identifica corretamente o medicamento e a doença.
- Peça ao hematologista um relatório médico detalhado.
- Reúna os exames e o histórico dos tratamentos anteriores.
- Separe a prescrição com a dose e a frequência das infusões.
- Guarde os protocolos e as comunicações realizadas com a operadora.
- Procure orientação jurídica para analisar a negativa.
Se houver anemia grave, necessidade de transfusão ou risco de agravamento, a urgência deve ser descrita expressamente pelo médico.
Quais documentos devem ser separados?
- prescrição médica;
- relatório detalhado do hematologista;
- exames diagnósticos e de acompanhamento;
- histórico de medicamentos e transfusões;
- carteirinha e contrato do plano;
- negativa emitida por escrito;
- protocolos de atendimento;
- orçamento do tratamento, quando disponível;
- informações sobre o local das infusões;
- documentos científicos indicados pelo médico.
Imaavy e nipocalimabe são a mesma coisa?
Imaavy é o nome comercial do medicamento, enquanto nipocalimabe é o nome do seu princípio ativo.
O medicamento pode ser utilizado por crianças?
A indicação aprovada pela Anvisa para AHAI-Q contempla adultos e adolescentes com 12 anos ou mais. Situações diferentes devem ser avaliadas individualmente pelo médico responsável.
O registro na Anvisa garante automaticamente a cobertura?
O registro sanitário é relevante, mas não garante, isoladamente, a cobertura em todas as situações. Devem ser analisados o diagnóstico, a prescrição, o contrato, a segmentação do plano e os documentos médicos apresentados.
O plano de saúde negou o tratamento com Imaavy?
O Dr. Lucas Vitorino atua em Direito à Saúde e poderá analisar a prescrição, o relatório médico, o contrato e a justificativa apresentada pela operadora.
WhatsApp: (11) 98388-5077





